Pensamentos de Dona Marta  

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Reflexões de uma dona de casa fluminense, no auge de sua sabedoria, colhidas pelo seu filho mais velho.
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   Quinta-feira, Outubro 04, 2007
Regionalismo

Dona Marta sai da costureira com o seu sobrinho e decidem pegar um taxi. Ao ser informado do endereço o taxista, figura "despachada" e falastrona começa o diálogo:

- A senhora está indo para lá? Eu sei onde é.
- Ah é mesmo?
- Sim, conheço. Lá tem um paraíba que as madames só pegam o taxi que ele escolher. Ele as acompanha até a porta e elas só confiam no paraíba.

Dona Marta olha para a cara do taxista: cara larga, cabeça chata em formato de coco.

- É mesmo? E que paraíba é esse?
- Ah é um que está trabalhando naquele prédio há anos. Ele é bem antigo lá.
- Então, deixa eu te dizer uma coisa. Esse senhor é meu marido e ele não é paraíba, ele é cearense.

Restou ao taxista calar-se.


   Sexta-feira, Janeiro 19, 2007
O Roubo

Sobre o roubo de vasos no cemitério do Araçá, por Ronaldo Esper, pego em flagrante, surge o diálogo:

-- As bichas ficarão em polvorosa com isso.
-- Mas mãe, o Ronaldo Ésper disse na TV que não é viado.
-- Sim, ele não é viado. Da mesma forma que ele também não é ladrão.




   Segunda-feira, Agosto 28, 2006
Reflexões fluminenses

De acordo com a astrologia, o recém rebaixado plutão, é o planeta que rege tudo o que está escondido. E a casa 12 se refere ao que não é aparente, o metafísico, o que está além de nós mesmos. Enfim vou esmiuçar isso com uma historinha.

Em tempos de vacas magras Dona Marta teve a idéia de servir almoço em casa para descolar uma grana extra. A maioria dos fregueses eram taxistas. Um dia um deles já chega de cara afirmando:

- Pois é a senhora que é baiana...
- Olha, não vou te decepcionar mas eu não sou baiana. Sou do Rio de Janeiro mesmo, só que não sou "carioca" de Itaguaí.

Tempos depois ela descobriu que o taxista era de Itaguaí.



   Domingo, Julho 16, 2006
Sobre a polêmica entrevista

Da senhora que teve orgasmo pela primeira vez aos 45 anos e comentou no fim da novela, dona Marta reflete:

""Ninguém me entrevista! Eu vou morar no Leblon""


   Terça-feira, Dezembro 13, 2005
Relação entre os gêneros

Nunca tive medo de homem, afinal sou filha de um.


   Quarta-feira, Novembro 30, 2005
Dona Marta conselheira

- Mas tia, vou me casar...
- Nessa rapidez?
- Sim, eu to gostando dela
- E você já foi pros finalmente com ela?
- Não, não fica bem por causa da religião!
- Tá, depois quando der defeito você manda de volta pra loja então, tá?

O pragmatismo dela me assusta...


   Quarta-feira, Novembro 09, 2005
As amigas de Dona Marta

Essa citação de Isabel, amiga de Dona Marta é fala recorrente aqui em casa: tem muito jovem que casa pra economizar a grana do motel.


   Terça-feira, Setembro 20, 2005
Dona Marta lê a notícia

Ex-secretária de Valério filia-se ao PMDB paulista
KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do publicitário Marcos Valério de Souza, filiou-se ao PMDB de São Paulo para concorrer ao cargo de deputada federal nas eleições de 2006.
Ela disse à Folha que sua filiação foi registrada na sexta-feira passada. A opção pelo PMDB foi influenciada, segundo ela, por seus familiares e pelo deputado Baleia Rossi, líder do partido na Assembléia Legislativa de São Paulo. Afirmou também que se decidiu pela legenda porque foi o partido que melhor acolheu suas idéias nas questões ambientais e no combate à corrupção.
A secretária ganhou notoriedade ao apontar o envolvimento de membros do PT com seu ex-patrão. Ela já havia declarado em outras ocasiões que desejava ser candidata a deputada, dizendo ter sido sondada pelo PSDB.
Karina já está de mudança de Belo Horizonte (MG), cidade em que mora com o marido e a filha, para São Paulo. "Em São Paulo tenho mais popularidade [do que em Minas Gerais] e escolhi o PMDB porque o partido acolheu muito bem minhas idéias",disse. Ela afirmou que na próxima sexta terá uma reunião no partido.
A secretária chegou a pedir R$ 2 milhões para posar nua. O dinheiro seria gasto, em parte, na campanha política. Mas as negociações com a revista "Playboy" foram encerradas, segundo Karina, porque não houve consenso em relação ao cachê. "Vou fazer uma campanha com base em propostas. Dinheiro não tenho."
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Comentário de Dona Marta, que é o que interessa aqui: "Não sei quem é mais filho da puta: se é ela ou se é o partido que acolhe um negócio desses!".


   Segunda-feira, Agosto 29, 2005
Comer mal

Dona Marta adora passar o fim de semana, quando pode, em Cabo Frio. Em um condomínio onde há várias casas em construção e almoçar num local de comida simples, bem feita e generosa. Eis que chega uma "perua" fazendo graça e enchendo o saco do paciente dono do bar sobre a comida oferecida pelo bar. Em um primeiro momento achei que Dona Marta, ao comentar isso comigo depois, iria dizer: se ela quer algo bom que fosse em outro lugar, afinal dinheiro não escuta desaforo. Mas como Dona Marta foge a certas previsões ela saca essa:

- Ela estava com muita frescura mas comia muito mal...
- Por que? O prato dela só tinha porcarias? - eu na minha inocência costumeira
- Não, to falando do peão que ela dá uns pegas, mas tenta disfarçar que não tem nada com ele. Feio e baixinho!




   Quinta-feira, Agosto 11, 2005
A ficada, segundo dona Marta

Eu comentava com Dona Marta sobre uma amiga que mesmo em uma ficada fazia um monte de exigências ao ficante, exigências muito iguais quando se está namorando firme ou casando. Dona Marta no alto de sua sabedoria diz que o problema está no fato de que muitas mulheres se acham liberadas por estarem em relacionamentos não-fixos mas carregam dentro de si as suas avós e transferem pra essas formas de relacionamento os mesmo hábitos de um "namoro firme". Ela citou como exemplo o fato de alguns casais se dizerem noivo só pelo fato da relação durar um certo tempo e todos terem consciência de que o casal tem relações sexuais. Ela diz "no fundo essas mulheres sonham com o mesmo vestidinho branco, grinalda e folha de laranjeira". É, faz sentido.


   Sexta-feira, Junho 17, 2005
Profissional do "sequiçu"

Dona Marta depois de ver a grana que Cicarelli ganhou no casamento com Ronaldo diz:

" e ainda acham que prostituta é só aquela que tá na calçada!"



   Quarta-feira, Março 23, 2005
Pobre de Novela

Dona Marta tem vários tipos psicológicos na mente. Entre eles há o famoso "pobre de novela". Durante muito tempo ela observou um tipo de personagem comum nos folhetins televisivos: aquele que era pobre, fica rico mas estranha o novo mundo. Acha as normas de etiqueta uma frescura, prefere dormir em um colchão velho preterindo o colchão d'água entre outras coisas. Dona Marta sempre acreditou que isso era só coisa de autor de novela, já que ela mesmo diz que se fosse rica iria curtir todos esses luxos. Passado algum tempo ela descobriu que pobre de novela existe na vida real: pessoas que têm a oportunidade de morar em um bairro melhor, de estudar mais , de poder usufruir de uma melhor qualidade de vida mas abrem mão de tudo isso para ficar do mesmo jeito que estão.


   Sexta-feira, Janeiro 14, 2005
Intimidade

Dona Marta se lembra de sua infância. Nela tem um candidato a um cargo político em sua cidade e o tal candiato vem, com intimidade, rindo para sua mãe, a sábia Dona Maria e se dizendo pioneiro naquele bairro. Dona Maria detonou com o cara dando um fora, já que ela morava no bairro desde a sua fundação e nunca vira o tal candidato mais gordo. Dona Marta, desse episódio, reitera seu repúdio a intimidade que os políticos tem quando estão diante de alguém mais pobre. Formalidades ainda são necessárias para ela, em especial nesse caso. Nada de intimidade.


   Quarta-feira, Dezembro 22, 2004
Uma fórmula de sucesso

Dona Marta aconselha ás loirasburras pagodéticas e Marias Chuteiras do meu Brasil: "mulher esperta é a Dona Lily de Carvalho, que casou com um homem rico e poderoso já velha e nem precisou pintar o cabelo de oxigenada barata e ter popozão".

Tá dado o recado!


   Sexta-feira, Dezembro 17, 2004
Caco Antibes Pergunta:

Por que pobre carrega tanta sacola?

Dona Marta se faz a mesma pergunta, mas parte da resposta ela já encontrou:

Porque classe média coloca as dela dentro do carro.